domingo, 19 de abril de 2015

A Ressaca (Hot Tub Time Machine)

País: EUA
Gênero: Comédia
Ano: 2010
Duração: 100 minutos

06/04 (***) Bom
Dá até pra imaginar o pitch (o termo hollywoodiano usado para vender um projeto para os estúdios) de A Ressaca (Hot Tub Time Machine, 2010): "Uma mistura de De Volta Para o Futuro com Se Beber Não Case".

A comédia de Steve Pink pega a temática "sacana" que voltou à moda ultimamente e a cerca de elementos de ficção científica. Ao lado do sexo, drogas e rock'n'roll há viagens no tempo, a quebra da continuidade e a clássica entidade enigmática (que lembra até um ser superior tentando acertar as coisas) que guia os protagonistas.

A jornada temporal de A Ressaca  envolve um grupo de amigos quarentões, todos insatisfeitos com o rumo de suas vidas. Um acaba de ser largado pela mulher (John Cusack), outro vive com sua esposa controladora que ele acha que está o traindo (Craig Robinson), e o terceiro, solitário, tenta o suicídio sem sucesso  (Rob Corddry). O elenco é fechado com o viciado em jogos de realidade virtual que têm problemas de sociabilidade (Clark Duke). Para curar as tendências suicidas do amigo , os demais resolvem levá-lo à Kodiak Valley, uma festiva cidade nas montanhas onde eles passaram o melhor fim de semana de suuas vidas. Porém, ao chegarem lá, descobrem que tudo mudou - e o paraíso da mulherada e bebedeira tornou-se uma cidade fantasma da terceira idade. Até que entra em funcionamento a "jacuzzi do tempo" do título em inglês... E eles voltam à épica década de 80, quando, temerosos de uma suposta destruição do futuro, decidem recriar cada passo dado naquela noite, mesmo que seja doloroso.

A produção poderia ser mais divertida se não tentasse, além do mix acima, juntam ainda dispensáveis lições de vida, transformando tudo em um filme de treinamento para a crise de meia-idade. A conclusão, totalmente voltada para essa ideia, é sinceramente tediosa. Lições de vida são chatas quando tudo o que você quer é se divertir um pouco.

Além disso, os filmes desse gênero sabem como preparar o terreno para escatologias e piadas sexuais. Esse não. Todos esses momentos em A Ressaca parecem gratuitos e exagerados. Não há desculpa para a sequência em que, depois de perder uma aposta para William Zabka (o Cobra Kai Johnny do Karatê Kid original!), o personagem de Corddry tem que realizar um "bola gato" em seu amigo. Dentro de um contexto, piadas assim funcionam (o final de Se Beber Não Case, por exemplo, tem uma das melhore "piadas de pinto" de todos os tempo). Largadas aleatoriamente, não passam de grosseria (tirem as crianças da sala!).

Enfim, para cada ideia digna de uma gargalhada, o filme pisa em casca de banana em outras. E como a distribuidora nacional escolheu um título casual que pega carona no sucesso de Se Beber Não Case (The Hangover, a ressaca), ao invés de optar por uma tradução literal de Hot Tub Time Machine (máquina do tempo-banheira de hidromassagem), perde-se ainda a mais honesta (improvisada, talvez?) e engraçada cena do filme. Nela, o sensacional Craig Robinson (famoso pela participação em The Office), ao observar o maquinário que os levou ao passado, comprova o óbvio ("Mas é uma banheira... máquina do tempo...") e dá um longo olhar semicerrado para a câmera. Ao quebrar a quarta parede com essa frase, a comédia prepara elegantemente o público para um humor despretensioso e safado. Pena que não consegue seguir assim até o final.

Ruim(*) Regular(**) Bom(***) Ótimo(****) Excelente(*****)

terça-feira, 7 de abril de 2015

Velozes & Furiosos 7 (Fast & Furious 7)



País: EUA
Gênero: Ação
Ano: 2015
Duração: 140 minutos

06/04 (*****) Excelente
Desde que se assumiu como uma franquia de coisas impossíveis,Velozes & Furiosos abraçou o absurdo. Ao longo dos anos, as cenas de ação foram ficando cada vez mais exageradas, assim como as falas de Vin Diesel sobre o real significado da família. Diante da necessidade/responsabilidade de se prestar uma homenagem, também era de se esperar que o peso dramático no filme fosse grande (também fui com esse pensamento). E é justamente isso que acontece. Velozes & Furiosos 7 não economiza em homenagens ao ator Paul Walker, que faleceu em novembro de 2013 (chocando a todos, inclusive a mim) sem completar as filmagens da produção.

O malaio James Wan, o quarto diretor da série, sai da zona de conforto para mostrar que o terror - que revitalizou com filmes como Jogos Mortais, Invocação do Mal e Sobrenatural - não é o único estilo que domina. O cineasta cria recursos visuais para registrar os balés dos carros e das lutas, abusando de ângulos e movimentos, sempre acompanhando a ação de muito perto e valorizando o 3D com sequências de tirar o fôlego (cito a cena onde Toretto e Brian atravessam três prédios a bordo de um superesportivo).

Cada sequência de Velozes e Furiosos 7 é pensada para explorar uma estética distinta. Há cenas no deserto, fechadas em interiores, em florestas, no topo de precipícios, no ar, essencialmente urbanas... cada uma com uma qualidade distinta. Em todas, o exagerado/extravagante é a regra. Carros desafiam as leis da física, assim como os humanos as da biologia. Vin Diesel e seus companheiros saem ilesos de provações que transformariam em pasta qualquer pessoa. Nem uma gotinha de sangue escorre pelo nariz dos caras, garantindo a classificação indicativa baixa e ampliando a faixa etária e a diversão, lembrando até Os Trapalhões. As gargalhadas são garantidas, principalmente com Roman Pierce (Tyrese Gibson) e suas tiradas cômicas.

A pancadaria rola solta e é de encher os olhos. Em determinado momento, Diesel e o vilão do filme, Ian Shaw (Jason Statham), encaram-se prestes a ter um de seus (vários) confrontos no filme. Os estilos são paralelamente opostos e o segundo questiona "você achou que teríamos uma briga de rua?" Statham, classudo, inglês, equipado - um ex-espião da Rainha... o James Bond perfeito. Diesel, desleixado, inchado, suado - o representante das ruas. É o contraponto que o roteirista Chris Morgan encontrou de antagonizar o velho e o novo, o exagero inocente do passado dos filmes de 007 à nova geração.

Se Bond lutava pelo seu país, porém, Toretto nunca mudou seu objetivo: manter sua família à salvo. Com os anos o elenco ficou menos enjoado e encontrou diversão na marra e na descompostura, mas o núcleo familiar nunca mudou. Toretto fez questão de garantir esse sentimento em todos os filmes em que participou. Daí vem a parte mais aguardada do filme, a homenagem a Paul Walker. É difícil não ficar tocado com as homenagens à Walker. Eu mesmo não consegui segurar as lágrimas. A família do cinema, para Diesel, que tanto deve à franquia, estendeu-se para fora das telas e a conclusão tem grande dignidade nesse sentido, com direito a frases do tipo "ele vai estar sempre comigo" ou "será para sempre meu irmão", é realmente emocionante ver uma equipe ter que dizer adeus a um de seus integrantes.

Ruim(*) Regular(**) Bom(***) Ótimo(****) Excelente(*****)

Tudo por um Furo (The Anchorman 2)

                                         

País: EUA
Gênero: Comédia
Ano: 2013
Duração: 119 minutos

05/04 (***) Bom
Tudo por Um Furo (Anchorman 2), título que foi mudado aqui no Brasil visto o fraco desempenho comercial, e desse jeito vem tentando se vender como novo. Um estratégia assim seria odiosa mas neste caso até se justifica. Finalmente, depois de dez anos, a história do lendário jornalista Ron Burgudy tem sua continuação.

Erra quem vê no filme estrelado por Will Ferrell e mais uma vez dirigido por Adam McKay somente com um besteirol. Tanto O Âncora como Tudo por Um Furo  são sátiras de dois momentos sociais importantes. No original, Ron vê-se ameaçado pelo surgimento de uma mulher como co-apresentadora de seu telejornal(E aí Fátima? rs). Neste as críticas são mais atuais, o jornalismo que entretém, como meio para conquista de audiência.

O veterano jornalista Ron Burgundy (Ferrell), na trama, falido e esquecido, recebe a oportunidade de comandar o horário mais ingrato da primeira emissora da história dedicada 24 horas à notícia.  No início dos anos 80, o personagem bigodudo de Will Ferrell já está com sua família formada, com uma boa vida profissional, porém recebe uma notícia que muda tudo. Mesmo assim, ele consegue dar a volta por cima em seu noticiário, conseguindo reunir seus antigos colegas de profissão, que seguiram outros rumos.

Também se repete a ideia de batalha campal entre vários veículos de imprensa. É a parte que eu menos gostei no filme como um todo. Muita patifaria junta, coisas que extrapolam o limite da física e da razão. Muito repetitivo, mas também há uma apoteose graças às participações especiais de nomes como Tina Fey, Jim Carrey, John C. Reilly, Liam Neeson, Kirsten Dunst, Sacha Baron Cohen, Amy Poehler, Vince Vaughn e Will Smith. A batalha é louca, destacando novas mídias (para o final da década de 70) como a MTV e a ESPN, e ainda brincando com o History Channel, que trata de história ao mesmo tempo em que dá destaque à mitologia.

O filme destaca o início dos canais segmentados, incluindo uma batalha cheia de participações especiais, que se torna épica. A trama é simples e a narrativa segue uma fórmula que deu certo no primeiro filme, mas que aqui pode soar repetitiva. Temos o crescimento e sucesso da equipe, as brigas internas e a queda de Ron Burgundy ao desespero, para ser seguida de um momento de redenção.

Não se trata de uma obra inesquecível, mas sem dúvida faz justiça ao nome de Ron Burgundy.

Ruim(*) Regular(**) Bom(***) Ótimo(****) Excelente(*****)

segunda-feira, 6 de abril de 2015

O Protetor 2 (Tom Yum Goong 2)

País: Tailândia
Gênero: Ação
Ano: 2013
Duração: 103 minutos

03/04 (***) Bom
Depois de fazer sucesso com O Protetor, o astro da ação Tony Jaa que poderá ser visto brevemente em Velozes e Furiosos 7 está de volta à ação nove anos mais tarde com O Protetor 2 (The Protector 2). A sequência segue Jaa fugindo da polícia e se envolvendo em um ringue de luta subterrânea onde ele vai ter que lidar com LC (RZA), um senhor do crime que está obcecado em reunir os melhores lutadores marciais de todo o mudo. 

Para quem se surpreendeu com Ong-Bak e O Protetor, vem na expectativa de assistir essa continuação com sede de pancadaria bem trabalhada, como é de costume nos filmes citados. Tony Jaa é um dos maiores nomes da atualidade em artes marciais, desde Jet Li e Jackie Chan, sendo mestre de Muay Thai Boran (Muay Thai Tradicional). 

Como eu falei, a pancadaria e as cenas de ação não faltam, mas, ao contrário do primeiro filme, abusaram das cenas de CG, deixando-as toscas demais. Devido ao baixo orçamento percebe-se a qualidade dos efeitos visuais, evitando uma comparação esdruxula com Hollywood. 

Eu curti um pouco. Não é melhor que o primeiro mas é bem melhor que as continuações de Ong-Bak, cuja história se perdeu totalmente do primeiro, esse ao menos segue a linearidade do anterior, sobrando outra vez para o seu elefante de estimação.

Ruim(*) Regular(**) Bom(***) Ótimo(****) Excelente(*****)

terça-feira, 31 de março de 2015

O Retrato de Dorian Gray (Dorian Gray)


País: Inglaterra
Gênero: Drama
Ano: 2009
Duração: 112 minutos

30/03 (**) Regular
Baseado em livro homônimo de Oscar Wilde (1854-1900), o  filme é uma falta de respeito à memória do grande escritor. Diante do mau uso do personagem em A Liga Extraordinária, O Retrato de Dorian Gray​ seria um grato retorno do jovem eterno ao cinema, mas o filme do diretor londrino Oliver Parker também não faz justiça ao único romance de Wilde.

Mais conhecido pelo papel do príncipe Caspian na franquia As Crônicas de Nárnia, Ben Barnes foi o escolhido para viver Dorian e não foi uma das melhores opções. Se bem que poucos atores fariam melhor com um roteiro tão fraco, mas Barnes também não ajuda. Ele entrega uma atuação muito genérica e nada profunda, não representando um dos personagens históricos da literatura. Dá a entender que Barnes interpretou não envelhecer como significado de não ter expressões faciais.

Dorian Gray é um rapaz pinta e inexperiente que é apresentado à "high society" por Henry Wotton (Colin Firth). Além da amizade com Wotton, Gray cultiva uma relação próxima com Basil Hallward (Ben Chaplin), um artista que resolve pintar um retrato seu. Ao dar uma olhada no quadro, Dorian faz a promessa de que daria tudo para permanecer com o visual nele estampado. Dorian, então, passa a manter a mesma aparência com o passar do tempo, o que não acontece com a pintura.

Nada em O Retrato de Dorian Gray tem muito destaque, nem mesmo a atuação de Firth (aliás, o espectador fica com raiva do personagem dele, que coloca Gray na perdição, e que no final tenta uma redenção em prol da sua filha) , que é mais próxima das que vi em Bridget Jones, O Discurso do Rei e em Kingsman.

Ironicamente, O Retrato de Dorian Gray, com a perfeição britânica na ambientação, nos figurinos e nas maquiagens, mas raso em conteúdo, ilustra uma das questões que Wilde levanta no romance, a das obras de arte belas por fora e ocas por dentro. Se o filme motivar as pessoas a lê-lo, já terá cumprido o seu papel.

Ruim(*) Regular(**) Bom(***) Ótimo(****) Excelente(*****)

sexta-feira, 27 de março de 2015

O Sétimo Filho (The Seventh Son)


País: EUA
Gênero: Aventura/Fantasia
Ano: 2014
Duração: 103 minutos

27/03 (**) Regular
Os trailers vistos na grande tela do cinema nos causam tremendo impacto. Como já assisti diversos filmes seguindo essa "onda" dos trailers, muitas vezes me senti ludibriado. Neste quesito se enquadra O Sétimo Filho, não somente conseguindo me ludibriar, mas também a ele próprio. Dos cenários aos efeitos, esse filme baseado em um livro quer entrar numa categoria já abarrotada de títulos. Para o elenco dois atores já premiados pela acadêmia, Julianne Moore e Jeff Bridges, juntando-se a Ben Barnes, buscam dar sentido ao livro de Joseph Delaney. Mesmo com atores altamente premiados, o filme não consegue ser lá essas coca-cola toda.


Dou uma ressalva no visual de O Sétimo Filho que é de qualidade e não afasta o espectador da fantasia sugerida, como ocorre em outras franquias (Ex.: Crepúsculo). Todas os seres e os pequenos cenários pelos quais eles permeiam são reproduzidos de maneira autêntica. A produção tem seu valor no longa. Na contramão, o roteiro é emperrado não tem grande impacto como Jogos Vorazes, numa breve comparação. Os diálogos são previsíveis o bastante pra qualquer criança com menos de 7 anos compreender facilmente o que se passa.

Na história, John Gregory (Bridges) é um Caça-Feitiço, um tipo de caçador de criaturas das trevas, em busca de um novo aprendiz. Após anos de insucesso, sua última esperança é o jovem Thomas Ward (Barnes), o sétimo filho de um sétimo filho, que logo na primeira missão precisa enfrentar a Mãe Malkin (Moore), uma das bruxas mais poderosas da região protegida por Gregory. Ela é capaz de se transformar em um dragão gigante, além de comandar uma série de criaturas nas redondezas.

Moore e Bridges poderiam ter salvado o filme, porém atuam além do modo automático, tornando assim o ponto fraco dele. Não vou mentir que os diálogos também não ajudaram muito, pois sempre levam para a patifaria ou pilantragem. Apesar disso, Jeff Bridges abusa das caras e bocas no seu personagem, tornando o personagem enjoado. Moore tenta até dar classe a sua personagem, mas esbarra nos diversos tipos de bruxa má interpretados até então.

Um dica pros estúdios: Invistam em melhores roteiros, para que o sucesso dos filmes não dependa só dos atores. O Sétimo Filho é um exemplo disso, distanciando até o espectador de um lida ocasional ao livro que inspira o filme.

ruim(*) regular(**) bom(***) muito bom(****) excelente(*****)

segunda-feira, 9 de março de 2015

Kingsman - Serviço Secreto (Kingsman: The Secret Service)


País: EUA/Reino Unido
Gênero: Ação
Ano: 2015
Duração: 129 minutos

09/03 (****) Muito Bom
Matthew Vaughn e Mark Millar criaram Kingsman depois de ver 007 - Cassino Royale​ (2006). A ideia da dupla, a priori, era descobrir a trajetória até a “licença para matar” de James Bond. Na adaptação da HQ para o cinema, porém, Vaughn não apenas conta a história de origem de um super espião, mas faz de Kingsman: Serviço Secreto  a mais insana e divertida homenagem ao agente 007 e seus colegas de profissão.

O herói em ascensão é Gary “Eggsy” Unwin (Taron Egerton), um garoto rebelde e pobre de Londres que descobre a sua chance de salvação no legado do pai, um antigo membro da Kingsman. Na agência secreta, em meio a candidatos privilegiados, frutos da nobreza britânica, Eggsy precisa aplicar a sabedoria das ruas à educação de um verdadeiro cavalheiro. Galahad (Colin Firth) é o seu guia em uma versão atual da Távola Redonda, que também conta com Lancelot (Jack Davenport), Merlin (Mark Strong) e o rei Arthur (Michael Caine).

A luta de classes é apenas um dos pontos de um filme que consegue alternar feminismo, estereótipos variados, machismo, quebra de clichês, violência e entretenimento. A falta de concordância segue por todos os lados. Se defende a nobreza, a superioridade intelectual e a elegância dos Kingsman, também condena a fama vazia e o dinheiro como vantagem social. O pobretão Eggsy é o protagonista, mas seus pares menos afortunados do proletariado londrino são retratados como ignorantes, cachaceiros e sem modos. Se duas ótimas personagens femininas - a vilã Gazelle (Sofia Boutella) e a mocinha Roxy (Sophie Cookson) - têm espaço para desenvolver suas personalidades sem precisar servir de interesse amoroso para ninguém, o longa persiste em sexismos que nem mais James Bond se atreve a reproduzir. Tudo coroado pela capacidade de Vaughn de dar cores de desenho animado à violência pesada.

São tantas coisas ao mesmo tempo, tantas possibilidades de discussão, e ainda assim Kingsman evita ser vítima da própria ousadia. O segredo está no equilíbrio entre os opostos, como na escalação de Colin Firth. O filme (escrito por Vaughn e Jane Goldman, sua parceira oficial desde Stardust: O Mistério da Estrela) usa a fachada de bom moço do ator, conhecido por interpretar reis, nobres e outros tipos benquistos, para criar o mais mortal e cordial dos espiões. A desconstrução de imagens também vale para o vilão. A figura franzina de Valentine pouco lembra a imponência de Samuel L. Jackson, que esconde o vozeirão em uma língua casualmente presa (que a cada fala arranca gargalhadas da platéia). A participação de  Mark Hamill, às vésperas do seu retorno como Luke Skywalker, é outra cereja em um bolo de cultura pop.

Vaughn justificou sua saída da direção de X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido (a continuação do seu X-Men: Primeira Classe) pela necessidade de criar algo novo. Conseguiu. Ainda que nascido de um pacote de referências, Kingsman é um produto criativo que substitui todos os gêneros que o inspiraram: os quadrinhos, a espionagem, a ação e a comédia. Contada a sua origem, Eggsy só precisa agora provar se tem o mesmo fôlego de 007 para as sequências (que com certeza, devido ao sucesso do filme, virão).

ruim(*) regular(**) bom(***) muito bom(****) excelente(*****)